sábado, 1 de fevereiro de 2014

Aquela dorzinha que passa por cada canto do coração, e estremece o corpo todo.

Sempre quando eu via aquela cena, ficava um pouco intrigada. Era um misto de revolta e de compaixão. Primeiro, deixe-me explicar o que via, para depois explicar porque dois sentimentos tão diferentes. Era um barco, dois remos, duas pessoas. E todos os dias eles iam e vinham. O que via, era que na maior parte do tempo, o homenzinho de barba branca remava mais forte e mais constante, enquanto o homenzinho de barba preta remava mais devagar, de um jeito mais inconstante. Claro, aquilo sobrecarregava demais o outro homem. Mas ele nunca parava de remar. Se queixava as vezes. O outro então, decidia remar igual a ele. Mas no dia seguinte, voltava a ser constante e inconstante. Culpa de quem? Do que não remava ou do que remava por ele e pelo outro? Eu via a cena com revolta por isso. Óbvio que se o de preto remasse só para si, o barco não sairia do lugar. Então remava para os dois. Isso deixava o outro numa posição tranquila, confortável. Homenzinho de barba branca estúpido, como podia ainda remar? Queria a companhia do outro, e por isso remava pelos dois. Isso me fazia sentir compaixão. Tanto quanto revolta. Desigual? Desequilibrado? Sim. Não. Talvez.. O homenzinho de barba branca não conseguia ser egoísta. Até tentava, mas se arrependia e por isso calava, e remava, e se sobrecarregava.

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