Eu vejo mundos que não se encaixam. Diante de mim raios de sol que não me aquecem. Nuvens lindas em forma de desenho que parecem só um borrão. Flores coloridas são cinza, quase em preto e branco. Os contornos disformes dos rostos e o compasso estranho dos corações. Eu simplesmente não sei enxergar o mundo sem você. Não sei sentir nada além da saudade. Não sei dizer outra palavra a não ser teu nome. Não sei sonhar com outra coisa a não ser o teu rosto. Não sei imaginar mais nada além do teu sorriso. Não sei desejar nada que não seja ter você. Não sei querer as outras coisas além do teu amor pra mim. Não sei dizer para o meu coração que a nossa história teve um fim, pra você. Não sei dizer para o meu coração que agora é preciso seguir em frente, sem você.
sábado, 17 de abril de 2010
segunda-feira, 5 de abril de 2010
' Hoje eu preciso ouvir QUALQUER PALAVRA TUA qualquer frase exagerada que me faça sentir alegria em estar viva. '
E aquele silêncio, foi o melhor silêncio que os meus lábios já fizeram. Não havia mais nada que eu desejasse ouvir naquele momento. Cada vez que o telefone chamava, meu coração batia mais forte, e mais forte, como se quisesse sair do meu peito. Eu tremia inconscientemente só de pensar em ouvir sua voz. E quando eu ouvi foi a melhor sensação do mundo. Uma saudade enorme inundou meus olhos e me fez chorar: tristeza, pela distancia; alegria, pela lembrança; amor, pelo passado; ódio, pelo futuro. Não disse nada. Não sei se você lembra de nós com a mesma intensidade que eu, por isso o medo de falar. Mas eu ouvi, escutei, senti sua voz fazendo eco no meu coração. Lembrei do seu sorriso, do seu abraço, das suas mãos nas minhas. E nunca desejei com tanta força ter você de volta. Eu já tinha esquecido do quanto sua voz fazia meu coração vacilar, já tinha esquecido de como me sentia só de pensar em você mais perto. Me fez bem tudo isso, mesmo que só por um instante. Se eu desmoronar depois não me importo, fazia tempo que eu queria sentir algo diferente no coração além da dor e do vazio. Você, mesmo longe e mesmo sem saber fez isso por mim. (Capturei o som da sua voz meu amor, ela é minha *_* me guarda com você, independente de qualquer coisa tá?) Eu que jurei esquecer e deixar pra trás, vi o quanto você ainda está em mim ("pode até parecer fraqueza, pois que seja fraqueza então. Esqueci de te esquecer. RESOLVI LEMBRAR QUANDO EU QUISER, de todos os momentos, em minha consciência ") Só me deixa saber que foi de verdade e que você existiu em mim E QUE EU EXISTI EM VOCÊ TAMBÉM.
10h e 45min, 05/04/2010.
10h e 45min, 05/04/2010.
quinta-feira, 1 de abril de 2010
' Maybe I'd fight it if I could, It hurts so bad, but feels so good: he cuts me and the pain is all I wanna feel cause I'm helpless when he smiles '
Para não perder o costume levantei e abri a janela para ver o tempo. Chuva! Isso significava que se eu ficasse inerte e não pensasse em nada, o dia seria perfeito. O frio e a chuva eram quase que um alivio, um refugio, um paralelo de como meu coração estava naqueles meses, desde ... desde o fim. Fim, fim. Aquilo não foi um fim. Foi uma ruptura que deixou um trauma, uma dor, um vazio enorme. Mas ultimamente eu me ocupava de outras coisas e na maior parte do tempo reprimia as lembranças de uma forma eficiente. Não havia uma só noite em que eu não ficasse virando de um lado para o outro, mergulhada em lágrimas que insistiam em cair. Não dormia de sono, dormia de tanto chorar e soluçar, minha mente chegava a um estado de cansaço tão grande que meu corpo se rendia. Um bom tempo de lá pra cá, joguei um sorriso amarelo no rosto pensando nisso. Sacudi a cabeça como se quisesse me livrar dos pensamentos, hoje o dia estava nublado e estava chovendo, seria perfeito, não haveria luz para me lembrar do buraco no meu coração.
Hoje eu estaria bem, tomei meu café com este pensamento, vesti o casaco e sai para admirar os primeiros dias de inverno. Não passei por muitos lugares nos quais costumávamos freqüentar nas manhas de domingos, eles ainda faziam a ferida pulsar. Evitei o parque, o lago e a cafeteria que vendia seu bolo de limão favorito. Continuei caminhando ladeira a baixo para sentar no banco da praça que ficava em frente à loja de brinquedos. Um lugar meio tosco para se ficar, mas ali era um dos únicos que não me fazia lembrar nada; a não ser da minha infância, e isso era algo bom. O vento cortava a pele e eu me encolhia toda vez que a brisa gelada provocava arrepios em mim, mas isso não incomodava muito, há tempos eu já havia me acostumado com o gelo em meu coração; era o calor que me causava repulsa desde a última em que me senti aquecida. Quantas horas fiquei ali sentada observando o movimento não sei. Até porque não foram muitas coisas que me chamaram atenção ao ponto de eu me interessar. Uma criança saindo da loja com um urso maior que ela, um senhor que havia tropeçado no lixo e um vendedor enfurecido com o fato de estar trabalhando domingo de manhã. Nem sei por que reparei nessas coisas, só sei que foram as únicas que olhei mais atentamente. O resto do tempo passei sentada com olhos imóveis fitando o nada. Não havia jeito, não havia graça nas coisas, não havia mais nada além do vazio. Por mais que eu me esforçasse, eu não conseguia sair daquele estado de inércia. Nenhum movimento, e se houvesse algum, seria uniforme.
Andando de volta para casa, de cabeça baixa sem dar muita atenção para o que estava fazendo, senti meu coração bater de uma forma irregular e uma inquietação agitou meu corpo e me fez levantar a cabeça. Escuro! O que estava acontecendo? Meus olhos pesaram, minha cabeça girou e meu corpo parou de responder a qualquer estimulo. Que sensação horrível: parecia estar em queda livre. Vertigem. Encostei em uma arvore e um senhor se aproximou. Falava coisas que meus ouvidos não conseguiam distinguir. Provavelmente estava oferecendo ajuda. Não conseguia me concentrar no que ele falava ou fazia. Meus olhos que aos poucos foram se acostumando novamente, abriram devagar, pararam e focalizaram o problema (ou a solução). Eu não conseguia acreditar no que via. Seria possível meus olhos estarem mentindo e eu imaginando coisas? Senti uma pressão tremenda esmagar meu coração. Eu simplesmente não acreditava, meu corpo simplesmente não respondia, a ferida simplesmente começara a sangrar, de novo.
Você já estava fora fazia um bom tempo. E não soube de uma só vez em que você tivesse voltado para visitar ou fazer qualquer outra coisa na cidade. E quando meus olhos viram você saindo da cafeteria, os sentimentos viraram um mar de confusão, todos juntos, como ondas que iam e vinham e arrebentavam na pedra, que era o meu coração. O senhor desistiu de me ajudar e saiu resmungando, provavelmente da minha má educação. Mas eu não estava me importando com isso. Nem sei se você tinha me visto, mas a hora em que meus olhos enxergaram você, não havia mais nada ao redor. EU QUERIA CORRER, CORRER E TE ABRAÇAR, PEDIR DESCULPAS, FALAR QUALQUER COISA, FAZER QUALQUER COISA PARA ACABAR COM AQUELA DISTÂNCIA. Mas meu corpo não respondia e meus batimentos não voltavam ao normal. Eu estava em choque. Porém nada disso me afetou tanto quanto o momento em que você me viu também. Os teus olhos acharam os meus, e eu me senti viva naquele momento, como se antes eu não respirasse e agora meu corpo inflamasse de ar e meu coração pulsasse todo sangue de uma vez só. Como se aquele único olhar me desse um estalo e colocasse todo o resto em evidência, e que a partir dali eu voltasse a enxergar com via antes.
Ver você atravessando a rua fez meu coração vacilar de tal forma que meus pés pareciam não tocar o chão e eu me senti como se estivesse caindo em um abismo escuro. Você foi se aproximando, seus olhos fixos em mim, e a hora em que tocou minha mão e disse oi, meu mundo foi abaixo. Se eu pudesse ter contido as lagrimas, se eu pudesse não ter demonstrado emoção nenhuma, preferia. Mas você segurou ainda mais forte minhas mãos e me abraçou sem dizer nada. ('me mantenha salva dentro dos seus braços como torres, torres sobre mim') E eu estava inteira, envolvida por você. Sem palavras, sem explicações, só o seu abraço e nossas lagrimas. Fazia quanto tempo? Quantas foram as noites de sofrimento? Em quantos pedaços meu coração havia se partido? NADA, NADA, ABSOLUTAMENTE NADA IMPORTAVA ALI. ERA EU E VOCÊ. Eu te amo, sempre amei, desde quando você se foi tento dizer pra mim mesma que está tudo bem, mas não está. Você deixou um vazio, levou as cores do meu mundo, porque eu era movida pela sua paixão, eu era movida por você, meu ar, meu chão, tudo. Não importava mais nada, porque eu não tinha você do meu lado, nossas canções eram barulhos, nossos lugares eram mortos, minha vida era pesadelo. É você e sempre foi, eu te quero com todas as forças da minha alma, eu te amo com todas as forças do meu coração. E se eu pudesse te dizer isso olhando nos teus olhos e sentir teu olhar penetrar meu coração e fazê-lo transbordar de amor, eu não precisaria de mais nada: nem do passado, nem das lagrimas, nem de nada do que ficou pra trás, seria a partir dali eu e você.
Você se afastou para me olhar, enxugou uma ou duas lagrimas minhas, e não conseguiu verbalizar nada, suas tentativas frustradas estavam me deixando ansiosa, e quando finalmente parecia que ia falar, desabou. Desabou em lagrimas como um castelo de cartas no meio de um furacão. E aquilo feriu meu coração. Abraçamos-nos novamente. Não havia nada pra falar. O que havia acontecido há seis meses, naquele instante havia ficado pra trás. Porque eu já tinha me esquecido do quanto era bom estar com você, do quanto era bom a sua presença. E naquela manhã eu senti tudo novamente. Senti como se antes eu não vivesse, senti como se agora a vida estivesse em mim. Se isso vai durar ou se você vai embora? O que vai acontecer depois? Não sei. O que e como vamos conversar sobre o resto? Também não sei. Não pensei em mais nada, te abracei mais forte, e naquele instante eu estava feliz. Você era a minha felicidade.
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